Acidentes aéreos aumentam a preocupação pelos casos de politraumatismo

Especialista explica desafios no tratamento de pacientes politraumatizados e a importância da resposta rápida, como nos casos de acidentes com aeronaves

Nos últimos 30 dias, a busca por “o que é politraumatismo” tem sido uma das mais frequentes no Google Trends, segundo dados da própria plataforma. O termo se refere a lesões múltiplas que podem comprometer ossos, órgãos e tecidos vitais, exigindo atendimento emergencial para aumentar as chances de sobrevivência. Politraumatismo é caracterizado por lesões graves em duas ou mais regiões diferentes do corpo, sendo mais comuns fraturas ósseas, hemorragias ou lesões na coluna.

Casos de politraumatismo ganham atenção quando há acidentes de grande repercussão, como os aéreos. Em menos de dois meses, 2025 contabiliza seis acidentes aéreos que resultaram em 10 mortes. Os dados são do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), da Aeronáutica, e consideram o período de 1º de janeiro a 7 de fevereiro.

Embora nem todos os casos de politraumatismo estejam relacionados a acidentes aéreos, a gravidade dessas ocorrências reforça a necessidade de atendimento especializado. A médica Rafaella Soriano, emergencista e docente do IDOMED, explica que o conjunto de traumas é um dos maiores desafios da medicina de emergência. “Esses pacientes estão em estado crítico, com múltiplas lesões que exigem avaliação e intervenção simultâneas. O tempo-resposta, chamado de ‘hora de ouro’, é determinante para a sobrevida”, afirma.

Segundo ela, a principal dificuldade está na rápida identificação das lesões mais graves. “Em muitos casos, há traumatismo cranioencefálico, lesões graves da medula espinhal, lesões torácicas ou abdominais com hemorragias internas e fraturas múltiplas/expostas, que podem comprometer órgãos vitais. A prioridade é estabilizar o paciente para reduzir o risco de morte”.

O atendimento inicial segue os protocolos internacionais do ATLS – Suporte Avançado de Vida no Trauma para garantir a abordagem mais eficiente. “A avaliação primária envolve uma sequência lógica conhecida como ‘ABCDE’:

controle das vias aéreas (A), ventilação (B), circulação (C), identificação de hemorragias (D) e exposição/controle do ambiente (E).

Paralelamente, exames de imagem ajudam a mapear lesões que podem não ser visíveis imediatamente”, explica Soriano. A infraestrutura hospitalar também impacta diretamente as chances de recuperação. “Centros de trauma bem equipados fazem a diferença, pois contam com equipes treinadas e recursos para intervenções cirúrgicas rápidas”.

A alta incidência de buscas sobre o tema reforça o interesse da população na gravidade dessas ocorrências e no atendimento adequado. Para Soriano, a informação pode ser um fator determinante na busca por assistência médica rápida.

“O reconhecimento precoce da gravidade de um trauma pode salvar vidas. É de extrema relevância que a população informe o maior número de dados possíveis, ao solicitar o SAMU, tais como: número aproximado de vítimas, se estão presas em ferragens, se há combustível ou produtos tóxicos ou fogo no local, se as pessoas estão conscientes (acordadas) ou inconscientes, lesões visíveis e demais informações que sejam capazes de averiguar.

A conscientização sobre primeiros socorros e a importância do atendimento especializado devem ser cada vez mais difundidas”, encerra.

Recuperação e reabilitação: Além do atendimento emergencial, a reabilitação de pacientes politraumatizados é uma etapa importante do tratamento. Segundo a docente do curso de Fisioterapia da Wyden, Theda Suter, a recuperação envolve uma abordagem multidisciplinar.

“A fisioterapia tem um papel essencial na readaptação funcional destas pessoas, auxiliando na recuperação da mobilidade, na redução da dor e na prevenção de complicações secundárias, como a atrofia muscular e a limitações físicas”, explica.

A docente destaca que o tempo de recuperação varia conforme a gravidade das lesões e a resposta individual ao tratamento. O acesso a tratamento adequado e a qualificação das equipes médicas seguem como fatores essenciais para reduzir a mortalidade e as sequelas associadas a esses casos.